Quando alguém escolhe um protetor solar, o FPS costuma ser uma das primeiras informações observadas na embalagem.
Mas o que esses números realmente significam? E será que um FPS maior resolve sozinha a escolha de um fotoprotetor?
A resposta é não. O FPS é uma informação importante, mas ele é apenas uma parte da história.
O que significa FPS?
FPS significa Fator de Proteção Solar.
O FPS é determinado pela relação entre a dose de radiação necessária para produzir eritema (vermelhidão característica da exposição UV) na pele protegida pelo produto e a dose necessária para produzir o mesmo efeito na pele sem proteção.
De forma simplificada:
FPS é uma medida relacionada à proteção contra a resposta eritematosa provocada pela radiação UV.
Por isso, não é correto interpretar o número como “quantas vezes mais proteção” de maneira literal ou como uma quantidade de horas que o produto permanece funcionando.
FPS 60 não significa 60 horas de proteção. E também não significa que seja possível ficar 60 vezes mais tempo exposto ao sol sem consequências.
A exposição depende de diversos fatores, incluindo intensidade da radiação, quantidade aplicada, uniformidade da aplicação e reaplicação.
Então qual é a diferença entre FPS 30, 50 e 60?
Os números indicam diferentes níveis de Fator de Proteção Solar (FPS). Quanto maior o FPS, maior é a proteção contra a radiação UVB medida pelos testes de FPS.
Mas isso não significa que o FPS 60 ofereça o dobro da proteção de um FPS 30. O FPS não funciona como uma escala linear: o aumento do número representa um aumento na proteção medida pelo método de avaliação, mas não deve ser interpretado como uma proporção direta.
No Brasil, a Anvisa classifica os protetores com FPS de 30 a 50 como “alta proteção” e aqueles com FPS acima de 50 como “muito alta proteção”.
Sendo assim, escolher um fotoprotetor não deve depender apenas do número indicado na embalagem. FPS, proteção UVA, quantidade aplicada, forma de aplicação, reaplicação e características da fórmula também fazem parte dessa escolha.
FPS e UVA são a mesma coisa?
Não. FPS e proteção UVA estão relacionados à fotoproteção, mas medem aspectos diferentes.
A radiação ultravioleta é dividida em diferentes faixas, entre elas UVA e UVB. O FPS está relacionado à proteção contra a radiação UVB, enquanto a proteção UVA é avaliada por um fator específico, o FPUVA (Fator de Proteção UVA).
Na prática, significa que um FPS alto, sozinho, não conta toda a história sobre a proteção oferecida por um fotoprotetor. É importante considerar também a proteção contra UVA.
Por isso, ao escolher um protetor solar, vale observar o conjunto da proteção: FPS + proteção UVA, além dos fatores como quantidade aplicada, reaplicação e características da formulação.
Curiosidade: Para ser considerado protetor solar, obrigatoriamente o produto precisa ser ⅓ do FPS.
Mais FPS não compensa pouca quantidade
Escolher um protetor solar com FPS alto é importante, mas a quantidade aplicada também influencia o nível de proteção obtido.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, rosto, cabeça e pescoço devem receber uma colher de chá de filtro solar.
O FPS indicado na embalagem é determinado em condições padronizadas de teste, com uma quantidade específica de produto. Na prática, aplicar menos produto do que o necessário pode reduzir significativamente a proteção alcançada.
Por isso, FPS 60 não significa que podemos aplicar uma quantidade menor do que colocaríamos de um FPS 30 ou 50.
É importante combinar:
FPS adequado + quantidade adequada + aplicação uniforme + reaplicação
Afinal, escolher um FPS alto é apenas o primeiro passo. Para que a proteção acompanhe a rotina, também é preciso saber como, quando e quanto aplicar e quando reaplicar.
Como saber quando reaplicar o protetor solar?
A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda reaplicar o protetor solar a cada duas horas durante a exposição ao ar livre e imediatamente após nadar ou suar, seguindo também as orientações específicas de produtos resistentes à água.
A necessidade de reaplicação é especialmente relevante em uma rotina que envolve:
atividade física;
suor;
contato com água;
secagem com toalha;
exposição prolongada ao ar livre.
A resistência à água também não significa proteção indefinida. Produtos classificados como resistentes à água passam por testes específicos e devem informar as condições correspondentes de uso e reaplicação.
O que considerar além do FPS?
Uma escolha mais completa passa por diferentes critérios, como:
Nível de proteção: Observe o FPS e as informações relacionadas à proteção UVA;
Quantidade: A quantidade aplicada precisa ser suficiente para que o produto entregue a proteção indicada;
Aplicação: Precisa ser distribuído uniformemente;
Reaplicação: A proteção precisa ser renovada conforme exposição, suor, água e orientação do produto;
Resistência: Para quem pratica atividades físicas ou passa tempo em ambientes quentes e úmidos, resistência à água e ao suor pode ser uma característica relevante;
Sensorial: Textura, acabamento, absorção e conforto podem influenciar a experiência e a constância de uso;
Compatibilidade com a rotina: Um produto precisa fazer sentido para o modo como a pessoa vive para que a fotoproteção consiga se tornar um hábito.
Na vida real, fotoproteção não acontece apenas no momento da escolha. Ela acontece na constância.
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